Exame.com

Category
Exame.com

Em qual estado os jovens vivem melhor no Brasil

Com menor taxas de gravidez precoce e maior proporção de jovens formados em uma faculdade, o Distrito Federal aparece no topo do ranking

Levantamento da consultoria Macroplan revela que o Distrito Federal é o local em que os jovens brasileiros encontram as melhores condições para viver bem.

O Índice dos Desafios da Gestão Estadual (IDGE), divulgado em primeira mão por EXAME.com, avaliou a situação da juventude em todos os estados brasileiros sob três indicadores diferentes: quantidade de jovens com ensino superior completo, gravidez precoce e proporção de jovens que não estudam, não trabalham e não procuram emprego.

O ranking, que considerou dados de 2015, vai de 0 a 1 – quanto mais próximo de zero, pior é a condição.

Outros cinco estados – Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro – também apresentaram resultados positivos, com IDGE superior a 0,675.

Com 0,933 pontos, o Distrito Federal conquistou a primeira colocação por apresentar desempenho exemplar nos indicadores analisados. Por lá, a proporção de gravidez na adolescência, por exemplo, é de 5,9% ? a mais baixa do país.

Quando o assunto é educação, o estado também registra o melhor resultado entre as unidades federativas: 30,9% dos jovens de 24 a 25 anos têm ensino superior completo – mais do que o dobro da média nacional de 15,2%.

Na contramão desses bons indicadores está Alagoas: o estado somou apenas 0,184 pontos no índice e ficou na última posição do ranking.

Veja a lista dos estados onde os jovens vivem melhor no Brasil:

Estado IDGE

1º DF 0,933

2º SC 0,805

3º SP 0,757

4º RS 0,699

5º PR 0,696

6º RJ 0,675

7º MG 0,664

8º GO 0,661

9º ES 0,612

10º MS 0,562

11º SE 0,542

12º RR 0,528

13º PI 0,503

14º MT 0,497

15º TO 0,479

16º RN 0,478

17º PE 0,47

18º PB 0,459

19º RO 0,458

20º AC 0,413

21º BA 0,402

22º CE 0,398

23º PA 0,375

24º AM 0,349

25º AP 0,345

26º MA 0,301

27º AL 0,184

Exame.com

Os problemas que prejudicam o desenvolvimento do Norte e Nordeste

Apesar dos avanços das últimas décadas, as regiões Norte e Nordeste, historicamente, têm ficado na lanterna do desenvolvimento econômico e social do país. Um estudo da consultoria Macroplan revela que a situação é crítica em ao menos 10 indicadores de um total de 28 analisados.Segundo o mapeamento, feito com dados de 2015, pobreza e violência são os aspectos mais vulneráveis de ambas regiões que, juntas, abrigam 74 milhões de habitantes.

Em 2015, 30,4% dos moradores do Norte e 33,1% dos nordestinos estavam abaixo da linha de pobreza contra a média nacional de 17,6%. Além disso, nessas regiões a chance de uma pessoa ser assassinada foi  duas vezes maior do que na região Sudeste. Em uma década, o número de mortes violentas cresceu 61% nos estados do Nordeste e 59% nos do Norte.

Segundo Adriana Fontes, uma das coordenadoras da pesquisa da Macroplan, a piora nos indicadores da região em 2015 tem relação com a crise política e econômica vivenciada pelo Brasil.

“Em um momento de restrição fiscal é essencial aprimorar a gestão dos recursos e melhorar a execução das políticas públicas. Caso contrário, o risco de a desigualdade aumentar daqui para frente é maior ainda”, argumenta.

O contraste ainda pode ser observado – de forma dramática – em outros oito indicadores.

Na opinião do especialista em políticas públicas Elimar Nascimento, da Universidade de Brasília (UNB), a condição preocupante nessas regiões é resultado de intervenções malfeitas do governo federal e da descontinuidade dos programas sociais.

Nascimento cita como exemplo o projeto de transposição do Rio São Francisco, que tinha entrega prevista para 2010, mas que só deve ser concluída no  primeiro semestre do ano que vem ? dez anos depois de seu pontapé inicial.

“Faz parte da tradição brasileira não ter políticas continuadas. Afinal, quando a gestão federal muda, os programas também mudam” diz.

Segundo Nascimento, é primordial manter uma coesão de longo prazo para combater a desigualdade. ?O Bolsa Família, por exemplo, é um dos programas que ainda está de pé, mas não é o suficiente para acabar com a pobreza. A gestão federal precisa consolidar políticas públicas em curso e promover novas que complementem o desenvolvimento social?.

Veja os indicadores mais críticos que travam o desenvolvimento do Norte e o Nordeste do Brasil, segundo a Macroplan.