Macroplan na mídia

Category
Macroplan na mídia

“Cidade Canção”, Maringá quer ser líder em estilo de vida

No ano passado, quando seu primeiro filhos tinha poucos meses de vida, o assessor de investimentos paulistano Rodrigo Zauner, 30 anos, descobriu uma frustração: a de nunca conseguir encontrar o bebê acordado. Morando na capital paulista em meio à rotina apertada do mercado financeiro, o engenheiro mecânico formado pelo instituto Tecnológicos de Aeronáutica (ITA) chegava em casa, na maior parte das vezes, depois das 22h.

“Acordava às 5h30 para conseguir uma vaga para estacionar perto da corretora ou ir à academia. Passava o dia inteiro fora e chegava quando o Lucca á estava dormindo”, diz. Em busca de mais tempo livre com a família e qualidade de vida, Zauner foi para Maringá, cidade com 403 mil habitantes no noroeste do Paraná e um dos mais ricos municípios do Estado.

Até o ano passado, quando se mudou para lá, as referências maringaenses do assessor de investimentos restringiam-se à relação cordial que mantinha, a distância, com os colegas da sucursal de seu escritório. Não havia razão profissional para a mudança: grande parte dos clientes de Zauner está em São Paulo, bem como seus pais e sogros, o que impões à família um vaivém constante. “A cada três semanas em Maringá, viajo e fico uma semana em São Paulo”, diz

A mulher, Tahiane, o acompanha sempres nas viagens e eles dizem que o deslocamento vale a pena. “Hoje saio do escritório às 18h. Consigo ver meu filho acordado, dar banho, jantar com ele. A qualidade do meu fim de dia mudou bastante”, comemora Zauner, que ainda acorda bem cedo: gosta de cacaminhada de uma hora diária para chegar ao serviço. No escritório, diz ele, os maringaenses já são minoria. “Tenho colegas de Osasco e Campo Grande”. A familia já cogita não voltar mais para São Paulo. “Maringá é mais tranquila, mais segura. E em 15 minutos se está em qualquer lugar”.

As vantagens da rotina de Maringá ajudam também as empresas que buscam profissionais de fora. Um exemplo é o site da DB1 Global Software, empresa de tecnologia fundada na cidade em 2000 e que emprega 250 funcionários. Um anúncio no site da DB1, que apresenta as vagas disponíveis na empresa, afirma que “90% dos colaboradores levam menos de 30 minutos para chegar ao trabalho”. Também conta que “17 parques estão distribuídos pela cidade, ideais para aquela corrida no fim da tarde”.

A empresa também dá destaque ao custo de vida em comparação às capitais. “O aluguel médio em Maringá ( centro) varia de R$700 a R$1.400. A marmita é entregue diretamente na empresa , o custo médio é R$10. Você também pode ir para casa almoçar com sua família, descansar um pouco e voltar à tarde”, promete o anúncio.

Ilson Rezende, CEO e fundador da empresa, é um fã do estilo de vida maringaense. Filho de agricultores que tentaram sem sucessoa vida  em São Paulo, após a grande geada de 1975, que dizimou as lavouras de café do Paraná, passou seis anos longe da cidade, após se formar em processamento de dados na Universidade Estadual de Maringá. “Voltei pela possibilidade de empreender e ter este estilo de vida”, diz. “O maringaense é muito apaixonado por Maringá. Estamos criando um termo aqui, o ‘maringaísmo’ que contagia a gente”, diz.

Maringá completou 70 anos em 2017 ostentando bons resultados quando comparada às 100 maiores cidades do Brasil: 1º lugar no ranking geral de melhor gestão do dinheiro público, 8º melhor índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb),  2º em infraestrutura e sustentabilidade e 5º em serviços de saúde, segundo ranking elaborado pela consultoria Macroplan com base em dados de 2015.

“Maringá é uma cidade diferenciada”, diz o prefeito Ulisses Maia (PDT) que, em meio à recessão econômico e às restrições fiscais que atingem o caixa dos municípios, é raro caso de prefeito que vê dinheiro “sobrando”? no orçamento. “Maringá reflete a força da agricultura da região noroeste do Paraná, que não tem tido crise nos últimos anos”, diz. “Alguns dos maiores pecuaristas do país moram aqui e investem na cidade”, afirma o prefeito. Dos R$1,4 bilhão previstos para 2017, ele prevê menos de R$200 milhões em investimentos. O gasto em saúde, estimado em R$395 milhões, é considerado ‘exagerado’ por Maia para as necessidades da cidade, já que 40% da população tem plano de saúde e não depende do serviço público. “Poucas cidades têm isso. O pagamento de pessoal compromete o orçamento da maior parte delas”, diz.

O aniversário de Maringá, celebrado em 10 de maio , refere-se à data , em 1947, de início de venda dos lotes de um gigantesco empreendimento imobiliário da empresas britânica  Companhia de Terras Norte do Paraná, que está na origem do município. Dez anos antes, a companhia havia fundado  a vizinha Londrina, que fica a 100 km de Maringá e tem 553 habitantes.

“Geralmente as cidades comemoram a data em que foram emancipaqdos politicamente. Celebramos a venda de lotes”, explica o diretor do Instituto Cultural Ingá e especialista na história da cidade, Miguel Fernando. Outra curiosidade, segundo conta a história local, é que o principal cartão-postal de Maringá, a catedral Nossa Senhora da Glória, teve inspiração soviética: o desenho teria sido sugestão de dom Jaime Luiz Coelho, primeiro bispoi da cidade, que encomendou a um arquiteto uma igreja parecida com a nave soviética Sputnik 2, lançada em 1957.

O nome da cidades – assim como a alcunha de ‘Cidade Canção’, referência entre moradores e empresas da tregião – se deve à famosa “Maringá”, composição do mineiro Joubert de Carvalho que fala das belezas de uma retirantes de olhos verdes , que fugiu da seca e deixou saudades. Sucesso nos anos 30, era muito cantarolada na região pelos machadeiros – trbalhadoreds que derrubavam a mata para abrir espaço às lavouras.

Diferentemente da ‘irmã’ Londrina, repartida e vendida em grandes latifúndios, os ‘maringaístas’ destacam que os lotes vendidos em Maringá eram pequenos, o que, para muitos, deu origem ao espírito cooperativista da cidade, representado hoje em empresas como a Cocamar, que tem sede na cidade é é uma das maiores cooperativas agropecuárias do país, a Siscoob, sistema cooperativo de crédito, que, na prática, funciona como um banco dedicado a financiar negócios na região.

“Quando eu morava na roça, notava que quando um terminava a colheita, ia ajudar o outro. Ninguém tinha funcionários”, diz Rezende, o dono da DB1, que é também presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá ( Codem).

Macroplan na mídia

Para especialistas,aumento da gasolina compromete recuperação econômica

O governo está jogando areia em cima de quem estava contribuindo para a retomada da economia”, criticou o consultor Roberto Luís Troster

A elevação do PIS-Cofins sobre os combustíveis foi anunciada ontem após várias reuniões da equipe econômica e de um encontro do presidente Michel Temer com ministros.

O aumento na tributação dos combustíveis, que começa a valer a partir de hoje, vai acabar com a alegria de quem, nos últimos dias, tem visto a queda de preços nos postos de revenda. O litro da gasolina poderá ficar R$ 0,41 mais caro nas bombas, de acordo com o Ministério da Fazenda, e o diesel subirá R$ 0,21. Levando em consideração um carro que tem capacidade para 45 litros, o consumidor pode passar a desembolsar R$ 35 só de PIS-Cofins para completar o tanque com gasolina, uma alta de R$ 18 em relação ao que gasta hoje. Isso porque a alíquota do tributo passou de R$ 0,30 para R$ 0,79 por litro.

Qualquer reajuste adicional no combustível tem um impacto direto na inflação e nos custos de quase toda a cadeia produtiva – da agricultura até a fabricação de aviões. O reajuste, segundo analistas, vai provocar impacto de até 0,65 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Um caminhão com capacidade para 150 litros pode ter que pagar R$ 31,50 a mais com o reajuste esperado para o óleo diesel.

A elevação do PIS-Cofins sobre os combustíveis foi anunciada ontem após várias reuniões da equipe econômica e de um encontro do presidente Michel Temer com os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira. O decreto com o aumento, assinado por Temer, foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União. As novas alíquotas passam a valer a partir de hoje. A expectativa do governo é arrecadar R$ 10,4 bilhões a mais, neste ano, para tentar cumprir a meta fiscal, que prevê um deficit de, no máximo, R$ 139 bilhões nas contas federais.

A nova alíquota de PIS-Cofins sobre o litro da gasolina é a máxima permitida por lei. No diesel, o tributo passou de R$ 0,24 para R$ 0,46 por litro. A medida tem efeito direto nas refinarias, mas o aumento deve ser repassado para os consumidores. A cobrança sobre a produção de etanol subiu de R$ 0,12 para R$ 0,13. O produto não era taxado na distribuição, mas agora a taxa será de R$ 0,19 em cada litro.

O governo defendeu o aumento do PIS-Cofins como necessário para ‘a preservação do ajuste fiscal e a manutenção da trajetória de recuperação da economia brasileira’. “O Brasil de fato vai recuperar o crescimento. Já existem dados positivos, mas nossa expectativa é de crescimento e queda do desemprego no segundo semestre”, afirmou Meirelles.

Remédio errado

A elevação de tributos, no entanto, recebeu críticas de especialistas, justamente porque pode comprometer a recuperação econômica. “O aumento dos combustíveis vai afetar não somente o consumidor, mas toda a economia, principalmente o setor agrícola, que tem uso intensivo de transporte e é o que mais tem ajudado o Produto Interno Bruto (PIB). O governo está jogando areia em cima de quem estava contribuindo para a retomada da economia”, criticou o consultor Roberto Luís Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Troster advertiu que haverá um impacto em cadeia nos preços, pois a maioria dos produtos depende do transporte rodoviário para chegar ao consumidor. Segundo ele, isso pode elevar a inflação, interrompendo o ritmo de queda visto recentemente. Na primeira quinzena de julho, o IPCA-15 fechou com alta de 2,78% no acumulado em 12 meses, a menor taxa desde 1999 (veja na página 9).

Para o economista, o governo está usando o remédio errado. ?A alta do PIS-Cofins não vai ser tão positiva para a arrecadação e o governo ainda precisará adotar outras medidas. Se ele tivesse mais coragem e tributasse, por exemplo, a renda fixa, que não contribui para a recuperação da economia, a arrecadação seria muito maior, algo em torno de R$ 48 bilhões se fosse nivelada a taxação em 28% do rendimento para qualquer tipo de aplicação?, afirmou. As alíquotas atuais variam  entre 15% e 22,5% ao ano. ?Esse seria um tipo de medida que estimularia o crescimento econômico e não penalizaria os mais pobres; o país tributa mais quem tem menos renda?, avaliou.

Demanda baixa

Se o aumento das alíquotas do diesel e da gasolina for inteiramente repassado para o consumidor, o impacto no IPCA será de até 0,65 ponto percentual, nas contas de Rafael Cardoso, economista da Daycoval Investe. “É uma estimativa, mas o efeito deve ser menor, porque a demanda está extremamente reprimida”, disse o especialista. A alta poderia ter um reflexo de 0,44 ponto percentual na gasolina e de 0,21 no diesel. Além disso, é provável o crescimento dos preços de outros produtos devido ao ‘efeito cascata’, como transportes, alimentos e bebidas, eletrônicos e toda a cadeia que depende do frete. “Mas me parece improvável ter um impacto secundário significativo. A demanda está muito baixa”, disse Cardoso.

Na opinião de Claudio Porto, presidente da Macroplan, o governo tomou uma decisão difícil, já que desrespeitar a meta de deficit seria um péssimo sinalizador para o mercado. Para ele, uma eventual revisão do teto de R$ 139 bilhões precisaria de um preparo político que o Executivo não tem. “As energias estão voltadas para a própria sobrevivência do governo”, destacou. Segundo o especialista, o impacto na inflação deve ser moderado, por conta do quadro recessivo e deflacionário, mas as pessoas que utilizam combustíveis devem ser prejudicadas. “O consumidor mais uma vez vai sofrer. Vai ter gente que vai deixar o carro em casa porque não tem condições de arcar com os custos”, ponderou.

Macroplan na mídia

Um novo ciclo de reformas

Em 2003, organizei um livro com José Guilherme Reis e André Urani (?Reformas no Brasil: Balanço e agenda?). Eram tempos em que havia otimismo com as características da transição entre os governos FHC e Lula e com uma nova ‘safra’ de reformas após as registradas durante 1995/2002, inicialmente continuadas por Lula com a proposta previdenciária de 2003 e a ‘Agenda microeconômica’ liderada por Marcos Lisboa na Secretaria de Política Econômica (SPE). Depois, o ânimo reformista arrefeceu e os livros que organizei com outros colegas nos anos posteriores em torno dessa temática tiveram a perspectiva de serem ideias que, realisticamente, estavam associadas a uma possível mudança de orientação do governo, o que valeu também para a última tentativa de colaborar para esse debate, em co-organização com Claudio Porto (‘Propostas para o Governo 2015/2018’, de 2014).Volto a essa linha, no livro que lancei em junho com Mansueto Almeida, ‘Retomada do crescimento – diagnóstico e propostas’ (Editora Campus/Elsevier) e que contém uma série de sugestões para o governo que vier a administrar o país a partir de 2019. A grande diferença em relação aos anteriores é que esta vez se trata não de uma agenda de mudança em relação à que existia e sim do aprofundamento de uma agenda de reformas que, na prática, se iniciou a partir da mudança de governo registrada no país em meados de 2016. O fato do co-organizador pertencer à equipe do Ministério da Fazenda – embora os capítulos tenham sido encomendados antes da citada mudança de governo – é um indicador desse fio condutor que leva das políticas atuais às que poderiam ser adotadas pela próxima gestão.

Na apresentação do livro, chamamos a atenção para o fato de que ele pretende ser ‘parte do esforço necessário de reflexão que o país terá que fazer até a realização das eleições de 2018, de modo a que o exercício do voto se dê no marco de uma efetiva consciência acerca das limitações da realidade e da necessidade de debater abertamente a necessidade de reformas, sem as quais será difícil que se descortine o horizonte de previsibilidade requerido para alavancar os investimentos. Algumas dessas reformas começaram a ser adotadas ou propostas no atual governo. Outras ficarão para depois’. O livro é uma espécie de ‘compêndio’ das ideias e propostas que ‘ficarão para depois’, ou seja, de 2019 em diante.

Ele contém três partes. A primeira trata do contexto geral e inclui um capítulo sobre tendências demográficas, de minha autoria e uma reflexão sobre a necessidade de aumentar a produtividade e os requisitos para isso, a cargo de Marcos Lisboa e José Alexandre Scheinkman.

A segunda parte do livro trata da agenda macroeconômica e inclui nove capítulos. Fernando Honorato Barbosa apresenta as linhas do que denomina de ‘plano de reconstrução fiscal’, de continuidade dos esforços em curso. Paulo Tafner e eu discutimos o tema previdenciário. José Roberto Afonso expõe a agenda da reforma tributária. Helio Tollini e Pedro Maciel apresentam os pontos que deveriam constar de propostas de mudanças institucionais no âmbito fiscal que vão além do ‘simples’ ajuste. Eduardo Zilberman e Ricardo de Menezes Barboza fazem sugestões para o regime de metas de inflação. Marcos Troyjo, por um lado e Maurício Moreira e Filipe Lage, por outro, explicitam a necessidade do Brasil reforçar a sua inserção na economia mundial. Luiz Chrysostomo mostra os desafios do mercado de capitais brasileiro. E Ricardo de Menezes Barboza, Vinicius Carrasco e João Manoel Pinho de Mello fazem propostas para aumentar o grau de competição da economia.

A terceira parte inclui um conjunto de doze capítulos que compõem o que poderia ser definido genericamente como uma ‘agenda setorial’. Adriano Pires e Ana Siqueira desenvolvem uma reflexão sobre o futuro da Petrobras, após a guinada recente comandada por Pedro Parente. Joísa Dutra e Patrícia Sampaio fazem um diagnóstico do setor elétrico. Cláudio Frischtak e Julia Noronha defendem uma estratégia de privatização da infraestrutura. José Roberto Mendonça de Barros extrai lições da experiência da agropecuária brasileira. Sergio Guimarães Ferreira descreve o que deveria ser uma política para combater o que qualifica como ‘armadilha da pobreza’. Marcelo Pessoa discorre sobre o cada vez mais dramático problema da violência urbana. Ciro Biderman repensa as políticas de transporte urbano.

Os temas da educação e da saúde são abordados nos capítulos de Fernando Veloso e André Medici, respectivamente. Paulo Furquim, Rudinei Toneto e Carlos Saiani escrevem sobre saneamento. Os desafios a serem encarados pelo BNDES são explicados no capítulo escrito em co-autoria por Breno Albuquerque, Daniel Grimaldi e este modesto escriba. Por último, há uma reflexão geral sobre a reforma do Estado que perpassa muitos dos temas abordados no livro, a cargo de Claudio Porto, Alexandre Mattos de Andrade, Glaucio Neves e Gustavo Morelli. Esperamos que o leitor interessado goste do conteúdo.

Macroplan na mídia

Especialistas: Nova crise política afasta interesse de investidores no país

Turbulência causada pela delação dos controladores da JBS cria incertezas e afasta possíveis interessados em investir no Brasil

A nova crise política e as incertezas na economia devem atrasar investimentos e as obras de infraestrutura por mais dois anos. Para especialistas, esses fatores, somados ao histórico de corrupção, atraso e sobrepreço nos grandes empreendimentos, afastam o interesse de potenciais investidores em novos projetos e concessões, necessários para o desenvolvimento do Brasil.

Antes da turbulência causada pela delação dos controladores da JBS, o governo federal lançou um pacote de concessões com a previsão de investimentos de R$ 45 bilhões. Alguns projetos, como quatro aeroportos, a distribuidora de energia de Goiás Celg-D e 31 linhas de transmissão, foram leiloados antes da nova crise. Agora, o cenário é diferente.

Para Fernando Marcondes, advogado especialista em infraestrutura do escritório L.O. Baptista, o momento é de extrema incerteza. “O primeiro impacto é um atraso na retomada dos investimentos em infraestrutura em, pelo menos, dois anos”, afirmou.

Presente a um evento em Nova York voltado para investidores estrangeiros, Marcondes revelou que a conversa tomava um rumo extremamente positivo. “Os investidores estavam animados sobre as reformas. Chegaram a dizer que tinham voltado a olhar para o Brasil porque Michel Temer estava conseguindo alguma estabilidade”, contou. “Isso foi dois dias antes da delação da JBS. Depois, a instabilidade voltou. Está tudo estagnado outra vez”, acrescentou.

Além do atraso em novos investimentos, as obras em andamento demoram muito mais do que o previsto, o que aumenta o Custo Brasil por conta da precariedade da infraestrutura nacional. “O impacto da corrupção é gigantesco. O histórico de grandes obras não é animador. Há sobrepreço. Os projetos sempre acabam custando muito mais. Ficam prontos muito tempo depois do prazo. É uma característica da natureza das obras. E a corrupção torna tudo ainda mais lento”, destacou. Para o especialista, agora é hora de esperar o contexto político.

Na opinião de Claudio Porto, presidente da Macroplan, a curto prazo a crise política tende a atrasar o ritmo das obras. “Num primeiro momento, a corrupção provoca atraso porque os grandes players foram apanhados na Lava-Jato. É preciso tempo para haver reposição das empresas”, disse. Isso demanda decisão política e estabilidade. “A médio e longo prazos, no entanto, o cenário deve ser de melhora significativa, por conta do saneamento. Os custos de obras superfaturadas serão reduzidos. O Brasil vai ter de abrir espaço para empresas estrangeiras atuarem nesse setor, preferencialmente associadas com as brasileiras”, explicou.

Entranhas

Presente, na semana passada, em um seminário no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre parcerias público-privadas, Porto teve a percepção de que o ambiente institucional será mais favorável pós-Lava-Jato. “Neste momento, a incerteza está no ar, nos próximos um, dois anos, a convicção dominante é de que o cenário será positivo depois disso”, destacou.

No entender do economista Gilson Garófalo, professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP) e da PUC-SP, a corrupção está entranhada nas obras de infraestrutura porque há conluio ou acordos entre os eventuais interessados em levar o empreendimento adiante já na fase de licitação ou concorrência. “É um aspecto negativo que não dá para controlar. Depois disso, o vencedor entra com pedido de atualização de valores, os tais aditivos, que geram sobrepreço. O excedente nem vai para a obra, vai ajudar em candidaturas de políticos”, ressaltou. Aos atrasos provocados para fazer caixa 2, alertou Garófalo, somam-se questões ambientais e demoras naturais do processo de obras complexas.

Os exemplos se multiplicam no Brasil. A Usina Termonuclear Angra 3, a Hidrelétrica Belo Monte e a Ferrovia Norte-Sul são três obras faraônicas que engoliram bilhões, sempre mais do que o dobro do orçamento, e que ainda não ficaram prontas.

Macroplan na mídia

Planejamento

O governador Marconi Perillo recebeu representantes do Fórum Empresarial e também de instituições públicas, como a UFG, para uma reunião de planejamento com o diretor presidente da Macroplan, Claudio Porto. O foco do encontro, realizado na Sala de Situação do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, foi traçar plano de desenvolvimento a longo prazo para o Estado.

Estado competitivo

“Queremos traçar um caminho em que possamos diminuir os custos sem perder a garantia de avanços concretos para Goiás. Meu esforço é no sentido de colocar nosso Estado efetivamente entre os mais competitivos nos próximos anos também”, afirmou o Marconi.

Frase do dia

“Todos os fatos e dados mostram quem Goiás é uma fronteira de oportunidades”, (Claudio Porto, diretor presidente da Macroplan).

Macroplan na mídia

Saída de equipe econômica significaria acelerar a catástrofe, diz economista

Um eventual desembarque da equipe econômica do governo significaria ‘acelerar a catástrofe’ que atingiu a recuperação econômica do Brasil nesta semana, em decorrência da delação da JBS envolvendo o presidente Michel Temer, avalia o economista e presidente da Macroplan, Claudio Porto.

Por isso, o profissional entende que tanto o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, quanto o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, devem permanecer ‘para evitar o pior’. “O mercado está olhando vem de perto esta situação, esperando que eles fiquem para conter os danos. Nesta confusão toda, creio que Meirelles está preservado. Ele é muito experiente e entende muito sobre questões de compliance”, afirmou ao Broadcast, serviço notícias em tempo real do Grupo Estado. “Eles (equipe econômica) estão com uma postura muito correta. A equipe é de primeira qualidade, mas sozinhos eles não resolvem”, afirmou.

O conteúdo das gravações divulgadas na quinta-feira, 18, em que Temer e Joesley conversam sobre relações com políticos e membros do judiciário, acabou com qualquer perspectiva de governabilidade, avalia Porto. “Temer não consegue montar uma base de sustentação política, a não ser à base do pior fisiologismo. Politicamente ele está muito frágil e os agentes políticos e econômicos estão paralisados. Se tiver uma solução rápida e de qualidade, a agenda de reformas pode ser salva, mas no curtíssimo prazo , elas não têm nenhuma condição de prosperar”.

Observando um horizonte mais amplo, o economista apontou que o mercado pode se beneficiar deste ‘novo patamar de sofisticação das investigações, com operações controladas’. “No médio e longo prazo, será positivo para a renovação do capitalismo brasileiro, interrompendo algumas práticas bastante generalizadas, como apadrinhamento e impunidade”, avaliou.

 

Macroplan na mídia

Cidades médias foram as que mais cresceram nos últimos 15 anos

As cidades com população de até 500 mil habitantes, consideradas de médio porte, apresentaram os maiores índices de crescimento de 2000 a 2015. O levantamento foi feito pela Macroplan, que compara vários indicadores – entre eles educação, saúde, segurança e saneamento – nas 100 maiores cidades do Brasil. Os destaques do ranking elaborado pela pesquisa foram Petrolina, em Pernambuco, que subiu 46 posições de 2005 a 2015, Caxias do Sul (foto), no Rio Grande do Sul, avançando 30 posições, e Campina Grande, na Paraíba, que ganhou 24 posições.

 

Macroplan na mídia

Programa incentiva volta dos negócios

Além de quatro leilões neste ano, o governo definiu o cronograma de 2018 e 2019 e implementou várias mudanças regulatórias para atrair investidores

Depois de quase três anos praticamente estagnado, mergulhado numa crise que incluiu os escândalos de corrupção na Petrobras, a derrubada de preços do barril e o freio nos investimentos, o setor de petróleo e gás no Brasil dá sinais de retomada, por conta de vários fatores, internos e externos. No ambiente doméstico, um dos mais importantes é a volta de um cronograma de leilões de áreas de exploração, reivindicação antiga das empresas. O governo marcou quatro rodadas neste ano, sendo duas de pré-sal, e espera arrecadar R$8,5 bilhões.

Também sinaliza com mais seis, três em 2018 e outras três em2019, ofertando pré-sal, campos terrestres maduros e áreas em bacias marítimas e em terra fora do pré-saL O panorama brasileiro se tomou ainda mais favorável aos investimentos privados com  mudanças regulatórias – itens recorrentes na lista de interesses dos players do setor: o fim da obrigatoriedade da Petrobras como operadora única no pré-sal; a redução de conteúdo local; avanços em acordos de unitização (áreas de pré-sal adjacentes a blocos já concedidos); e perspectiva de prorrogação por 20 anos do Repetro, regime tributário especial que facilita importação e exportação e que vence em 2019.

Em meados de abril, o mercado aguardava que alguns destes pontos – prorrogação do Repetro e os acordos de unitização – fossem confirmados e aprimorados pelo governo. “O Brasil tem uma geologia extremamente favorável e é um dos países mais interessantes do mundo para se procurar petróleo”, diz o secretário executivo de exploração e produção do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ffiP), Antônio Guimarães. “Mas é preciso um ambiente de negócios atrativo.”

Ele lembra que haverá neste ano 27 licitações de petróleo pelo mundo e as empresas “vão comparar as vantagens de investir no Brasil ou em outros lugares”. No front externo, os ajustes que as petroleiras fizeram para se adequar aos novos preços do barril e a estimativa de estabilização na faixa dos US$ 50 a US$ 60 permitiram melhor planej amento futuro. “O preço não deve subir, por conta da competitividade americana, esvaziando o acordo da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep )”, avalia Tereza Fernandez, consultora da MB Associados.

Os preços internacionais do barril devem se manter porque, apesar de a Opep ter fechado um acordo com países produtores não membros para cortar a produção no começo do ano, numa tentativa de elevar o preço, a produção de xis to americano e de óleo no golfo do México tem aumentado. A renovação do entendimento, depois de seis meses, não é dada como certa. Esta cotação atual, diz Tereza, é bastante razoável para o pré-sal nacional, que vem obtendo ganhos tecnológicos e reduzindo custos.

Assim, as grandes petroleiras voltam a pensar em novos investimentos e o Brasil tem chances de atrair esses negócios. Um estudo da consultoria Accenture indica que, com a volta dos leilões e os acertos no arcabouço regulatório, há estimativas de que as empresas de petróleo, incluindo a Petrobras, estejam investindo US$45 bilhões até 2025. Boa parte desses pré-requisitos está definida. O Ministério de Minas e Energia confirma a realização de quatro leilões em 2017.

O primeiro é a chamada Rodadinha, quarta rodada de campos marginais em terra, programado para maio. Serão oferecidas nove áreas (Araçás Leste, Garça Branca,Iraúna, Itaparica, Jacumirirn, Noroeste do Morro Rosado, Rio Mariricu, Urutau e Vale do Quiricó), distribuídas em três bacias sedimentares: Potiguar, Recôncavo e EspíritoSanto. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informa que elas foram seleciona das visando ampliar o conhecimento das bacias sedimentares e dar oportunidades a pequenas e médias empresas.

Em setembro, haverá dois leilões: um é a 14ª rodada sob regime de concessão, que tem selecionados 291 blocos exploratórios, em nove bacias sedimentares de diversos Estados, e outros dez blocos de águas ultra profundas, na porção norte da bacia de Campos. São áreas, diz a ANP, em bacias de elevado potencial, de novas fronteiras e bacias maduras, que poderão ajudar a ampliar as reservas e a produção, além de descentralizar o investimento exploratório no país, desenvolver a pequena.indústria petrolífera e fixar empresas nacionais e estrangeiras no país.

A outra disputa de setembro, pela programação do governo é o segundo leilão de partilha, com a oferta de áreas unitizáveis do pré-sal (blocos vizinhos a outrosconcedidos) na bacia de Campos (Tartaruga Verde e Gato do lato) e bacia de Santos (Carcará e Sapinhoá).E finalmente em novembro está marcada a terceira rodada do pré-sal. Serão oferecidas quatro áreas nas bacias de Campos e de Santos: Pau Brasil, Peroba, Alto de Cabo Frio-Oeste e Alto de Cabo Frio Central.

Até agora só houve um leilão de pré-sal pelo regime de partilha: a do campo de libra, em2013, na bacia de Santos, vencido pelo consórcio Petrobras, anglo-holandesa Shell, francesa Total e chinesas CNPC e CNOOC. O governo já definiu outros seis leilões, três em 2018 e três em 2019 – somando dez de 2017 a 2019. Em 2018 e 2019, a grade será similar em cada ano, com campos maduros terrestres, outro vendendo blocos sob o regime de concessão (em terra e mar) e um terceiro sob regime de partilha, com áreas de pré-sal.

Apesar da novidade deste ano no pré-sal- o fim da exclusividade da Petrobras como operadora -, a empresa, mesmo com menor capacidade de aporte de recursos e ainda equacionando suas finanças, pode entrar nas disputas, exercendo seu direito de preferência. Foi o que disse o presidente da estatal, Pedro Parente, na coletiva de apresentação de resultados de 2016 em março. Segundo ele, “a empresa pode repriorizar seus investimentos em função do interesse que tenha nas áreas”.

O Plano de Negócios e Gestão da Petrobras 2017-2021 prevê investimentos de US$ 74, 1 bilhões, dos quais US$ 60,6 bilhões em exploração e produção. Destes, apenas 11% foram reservados à exploração. A maior parte está focada em desenvolvimento da produção, com esforço maior nos campos de pré-sal. Analistas veem a estatal mais seletiva, tendendo a optar, nos leilões, apenas pelas áreas de maior atratividade. Por isso, apontam para a necessidade de atração de capitais estrangeiros para dar mais velocidade a novas campanhas exploratórias.

“As empresas precisam de previsibilidade e um cronograma de leilões é importante para que elas se planejem e possam mitigar riscos com a diversificação de portfólio”, avalia o sócio-líder de óleo e gás da KPMG, ‘Anderson Dutra. Para ele, uma programação de rodadas não necessariamente quer dizer várias com intervalos muito curtos entre elas, porque pode forçar o caixa de petroleiras que atuam no Brasil e fazê-Ias escolher em qual leilão entrar. Mas isso pode abrir espaço para novos players, de fora do eixo Estados Unidos-Europa.

“As petroleiras foram se ajustando desde 2015, depois da queda forte do preço do barril, se planejaram ano passado, e o interesse por investimentos vem aumentando”, diz o professor do grupo de economia de energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmar de Almeida. Com as mudanças nas regras brasileiras, como o fim da obrigatoriedade da Petrobras ser operadora única no pré-sal e redução de índices de conteúdo local, segundo ele, o Brasil entra forte no mapa de prioridades.

O pré-sal é visto por ele como sem concorrentes, “Não há nada no mundo como o pré-sal brasileiro em termos de volumes”, observa Almeida. Por isso, há perspectiva de chegada de petroleiras que ainda não atuam no Brasil ou têm presença tímida, especialmente para esses leilões. “Ter blocos do pré-sal no portfólio agrega valor.”

A norueguesa Statoil é um exemplo de apetite por novos aportes no país, que responde por 12%de sua produção internacional, de 720 mil barris por dia. Em 2016, a empresa comprou, por US$ 2,5 bilhões, a participação de 66%da Petrobras no bloco BM-S-8, chamado Carcará, no pré-sal da bacia de Santos. Carcará terá uma área inutilizável indo a leilão, o que faz os analistas apostarem na Statoil como uma das candidatas a levar a disputa. A petroleira não comenta sobre ativos específicos e diz que está sempre avaliando oportunidades de negócios, como novas rodadas, compra ou venda de ativos.

Nos próximos anos, a Statoil programou vários projetos para o Brasil, país onde pretende se tornar o principal player internacional. Um deles é o desenvolvimento da segunda fase do campo de Peregrino, na bacia de Campos, com a instalação da terceira plataforma – trata-se do maior campo da empresa fora da Noruega e do qual tirou mais de 100 milhões de barris desde 2011, quando iniciou a produção.

Serão tocados também o desenvolvimento do BM- C-33, na bacia de Campos, onde foi realizada a descoberta do Pão de Açúcar, e de Carcará e o início da exploração em blocos no Espírito Santo. O Brasil, diz o vice-presidente de relações institucionais da Statoil Brasil, Fernando de Carvalho, tem uma base de recursos enorme e volumes a serem descobertos. “Vemos o país como uma região estratégica para um crescimento sustentável e a longo prazo”, destaca. 

Para ele, o debate em curso em torno das regras para a área de petróleo e gás, incluindo itens como Repetro, conteúdo local e novos leilões, mostra a seriedade do país em relação aos negócios no segmento. “Apesar do desafio competitivo que o setor de óleo e gás brasileiro vive hoje, sem dúvida o Brasil é uma das áreas produtoras de petróleo mais atrativas do mundo”, afirma. E lembra que Brasil compete por projetos e oportunidades da empresa em vários países, entre eles Noruega, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá.

Outra que tem grandes planos para o Brasil é a anglo holandesa ShelI, parceira da Petrobras no campo de Libra, no pré-sal da bacia de Santos,junto com a francesa Total e duas petroleiras chinesas, CNPC e CNOOC. Em novembro de 2016, o presidente mundial da ShelI, Bem Van Beurden, afirmou que a empresa investirá US$10 bilhões no Brasil nos próximos quatro anos. Os recursos irão principalmente para projetos com a Petrobras, pré sal e projetos da BG, que foi comprada pela ShelI. 

Beurden, que esteve reunido com o presidente Michel Temer, o ministro da Fazenda, Henrique MeirelIes, e o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra, também disse, na ocasião, que a empresa olhará oportunidades nos novos leilões. Se vier a fazer ofertas nas rodadas deste ano, novos investimentos serão agregados aos anunciados.

Ele comentou que a extinção da exclusividade da Petrobras como operadora única no pré-sal abre oportunidades para que novos investidores venham ao Brasil e mostrou interesse em ser operador, tendo a Petrobras como parceira estratégica.

A francesa Total, outra integrante do consórcio de Libra, vem se movimentando no país. Em outubro de 2016, anunciou que planeja investimentos de US$ 300 milhões em 2017 em projetos na bacia da Foz do Amazonas. No geral, a empresa prevê aportes de US$ 1,25 bilhão neste ano em exploração e o Brasil é um dos cinco mercados prioritários. Os outros são Aruba, Chipre, Egito e Malásia.

No fim do ano passado, a petroleira francesa foi às compras por aqui. Adquiriu por US$ 2,2’bilhões participações da Petrobras em usinas térmicas e em duas áreas do pré-sal na bacia de Santos. A Total ficou com 22,5%da concessão de lara, que inclui os campos Sururu, Berbigão e Oeste de Atapu. No outro bloco comprado, a petroleira francesa passou a ter 35%do campo de Lapa, que começou a produzir no fim de 2016. É nessa região que se encontra o campo de Lula, o maior em produção do país, com cerca de 690,7 mil barris diários em fevereiro de 2017.

Para o líder de energia da Accenture Strategy, Daniel Rocha, o preço do barril estabilizado entre US$ 50 e US$ 60 propicia maior previsibilidade para as petroleiras. “Assim, elas podem selecionar seus projetos viáveis a esse patamar e o pré-sal cabe aí.” Ele vê a disputa deste ano mais concentrada nas maiores como Shell, Total, Statoil. Já para a 14a rodada, ele aponta perspectivas de atração de novos entrantes no mercado nacional.

Apesar das boas perspectivas, há, porém, alguns problemas no horizonte, porque as incertezas sobre o ambiente de negócios no país não foram todas apagadas. “Até 2018, o apetite ainda será moderado. Boa parte dos grandes investidores está aguardando o resultado das eleições do ano que vem”, avalia o presidente da consultoria Macroplan, Claudio Porto. Para ele, se for confirmada a expectativa de que “ressurgirá uma hegemonia política pró-mercado e com perspectivas de permanência no poder”, o interesse por investimentos no Brasil alcançará um patamar bem mais alto.

Há mais otimismo do que pessimismo em relação ao sucesso dos leilões de 2017, com várias petroleiras estrangeiras, e mesmo a Petrobras, comentando ter interesse, como Shell e Statoil, que deixaram claro estarem analisando oportunidades no Brasil. Mas isso não quer dizer, a priori, que o Brasil verá um boom espetacular nas próximas rodadas.

Isso porque, na visão de José de Sá, sócio da Bain&Company, o nível atual de preço do barril induz as empresas a fazer apostas mais calculadas e escolher ambientes regulatórios de menor risco. OBrasil, aponta, concorre com Estados Unidos, Angola, México, Canadá, Austrália, Moçambique e Argentina por aportes em projetos de óleo e gás. Aseu ver, novas rodadas de áreas de pré-sal sem a regra do operador único viabilizará a presença relevante de outras empresas no Brasil. “Já o impacto de leilões de outro tipo de ativos vai depender de quanto se ajustar o ambiente regulatório para trabalhar a atratividade comparativa do Brasil”, afirma.

 

Macroplan na mídia

As melhores e piores capitais para se viver no Brasil

Por Valéria Bretas a

São Paulo – Com pouco mais que 460 mil habitantes, a cidade de Macapá (AP) é a primeira na lista das piores capitais para se viver no Brasil, segundo estudo da consultoria Macroplan.

Para chegar a esta conclusão, a consultoria analisou os municípios com mais de 266 mil habitantes em 16 indicadores divididos em quatro áreas distintas: saúde, educação e cultura, segurança e saneamento e sustentabilidade.

O ranking foi formado por um índice que vai de 0 a 1 (quanto mais próximo de zero, pior é a condição de vida no local). Macapá ficou com um índice de 0,434.

Alguns exemplos explicam os pontos negativos da capital amapaense. Na área de saúde, por exemplo, Macapá aparece na 89ª posição entre as 100 maiores cidades do Brasil. Motivo? A cidade tem uma das mais altas taxas de mortalidade infantil e baixa cobertura de atendimento básico.

EXAME.com não conseguiu contato com a prefeitura da cidade até a publicação desta reportagem.

No extremo oposto está  Curitiba (PR), que garantiu o primeiro lugar no ranking entre as melhores capitais do país, com índice de 0,695. Segundo o estudo, a cidade tem bons resultados nas quatro áreas analisadas pela consultoria.

Por lá, segundo o levantamento da Macroplan, 100% da população é atendida com água encanada e  coleta de lixo. A título de comparação, na capital do Amapá, apenas 36,4% dos moradores têm água encanada.

Veja as melhores e piores capitais para se viver no Brasil e o desempenho de cada uma delas nas quatro áreas analisadas pela consultoria.

O RANKING DAS CAPITAIS DO PAÍS

Ranking Capital Estado Índice

1º Curitiba PR 0,696

2º Florianópolis SC 0,686

3º Vitória ES 0,681

4º Belo Horizonte MG 0,677

5º São Paulo SP 0,673

6º Palmas TO 0,657

7º Campo Grande MS 0,645

8º Rio de Janeiro RJ 0,627

9º Goiânia GO 0,622

10º Porto Alegre RS 0,622

11º Boa Vista RR 0,593

12º João Pessoa PB 0,574

13º Cuiabá MT 0,569

14º Fortaleza CE 0,566

15º Salvador BA 0,555

16º Recife PE 0,543

17º Natal RN 0,542

18º Teresina PI 0,536

19º Rio Branco AC 0,529

20º Manaus AM 0,528

21º Aracaju SE 0,512

22º São Luís MA 0,508

23º Belém PA 0,486

24º Maceió AL 0,473

25º Porto Velho RO 0,470

26º Macapá AP 0,434

Macroplan na mídia

Não é só em São Paulo

Com a crise, outras cidades também têm criado programas para reduzir a burocracia e aumentar os investimentos –  aproximando o setor público do privado

Em junho de 2016, a multinacional chinesa de tecnologia BYD assinou um contrato de tecnologia para a venda de painéis de energia solar para parques de geração do Nordeste. Pelo contrato, as primeiras entregas precisavam ser feitas até o fim de abril deste ano, num prazo de apenas dez meses.Com um detalhe: a BYD não tinha ainda uma fábrica de painéis solares no Brasil. A empresa teve de correr para escolher a cidade onde investiria os 150 milhões de reais para a instalação de uma montadora. Em jogo estavam multas altíssimas em caso de atraso. O cenário não era animador. A obtenção de licenças e alvarás costuma demorar meses ( e às vezes anos) no Brasil. Numa fábrica de veículos elétricos instalada em 2015, em Campinas, no interior paulista, o mesmo grupo chinês teve de esperar seis meses para conseguir a documentação. Mas durante a procura, a BYD descobriu que algo havia mudado em Campinas. A cidade havia criado um conselho para analisar os projetos de alto impacto tecnológico e com grande geração de empregos, liberando as licenças mais rapidamente. “Optamos por Campinas, devido à nova forma de licenciamento, mesmo sendo mais caro construir ali do que em outras cidades”, diz Adalberto Maluf, diretor da BYD. As licenças saíram em menos de dois meses. No início de abril, os primeiros painéis foram entregues.

Campinas é exemplo de uma tendência: há um número crescente de prefeitos empenhados em reduzir a burocracia, facilitar a abertura de negócios e atrair investimentos. Não é, portanto, apenas João Doria, em São Paulo, que está adotando estas ideias. O que move esta agenda pró-mercado é o pragmatismo. “Não é uma questão de doutrina liberal, mas de reconhecer que as pessoas precisam de emprego e que só o setor privado pode suprir isso”, diz Jonas Donizette (PSD), prefeito reeleito de Campinas. Segundo apurou a consultoria 4E , em 2016 as despesas superaram as receitas na soma dos 5570 municípios brasileiros pela primeira vez desde 1998. Mais de 70 prefeituras declararam calamidade financeira neste ano. Um estudo do banco Itaú indica que os municípios terão déficit de 1,5 bilhão de reais em 2017, caso não entrem recursos extraordinários, como os do programa de repatriação de recursos. “Diante do caixa curto, a nova safra de prefeitos precisa desta agenda para entregar resultados”, diz Juliano Sebara, diretor-geral da ONG Endeavor, que fomenta o empreendedorismo.

Macroplan na mídia

Plano para fazer Campina crescer

Estratégia. Propostas pretendem dobrar renda per capita e incluir a cidade no ranking das 20 maiores do Brasil

Dobrar a renda per capita, superar o racionamento de água, ampliar a cidade universitária e entrar no ranking das 20 cidades mais empreendedoras. Estas são algumas das 35 metas do Plano Estratégico de Desenvolvimento de Campina Grande 2035, apresentado ontem em uma sessão especial  da Câmara Municipal,na sede da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep).

O plano abrange outras cinco cidades da região metropolitana (Lagoa Seca, Massaranduba, Fagundes, Queimadas e Boa Vista) que terão suas realidades impactadas e cinco áreas fundamentais em que o município poderá explorar potencialidades e superar as defi ciências.

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), destacou a importância de se planejar uma cidade a longo prazo. “Quando não se tem um planejamento, se acaba andando em círculos e voltando para o mesmo local. Sabe-se que quem planejou, acertou mais e os grandes desafios dos municípiosbrasileiros hoje é que temos muito menos recursos e uma sociedade muito mais exigente”, afirmou.

Projeto é ambicioso

Para o economista e consultor Claudio Porto, que liderou uma equipe na elaboração do plano, ‘Campina Grande 2035’ é um projeto ambicioso, mas viável. “A questão é aproveitar o máximo as potencialidades que temos, porque podemos em vinte anos nos tornar uma cidade duas vezes mais rica e três vezes menos pobre, alcançando um nível de qualidade de vida de alto padrão”, explicou.

Ele citou os principais desafios a longo prazo do plano, e medidas mais urgentes a serem aplicadas. “Um desafio fundamental é dobrar a renda per capita, que vai exigir muito esforço público e, sobretudo, do setor privado, que é quem gera mais empregos, mais impostos, mas é possível fazer isso. Maringá foi um município que dobrou a renda per capita em vinte anos e nós podemos ter isso, pois temos  potencialidades que nos permitem isso.Há também dois problemas que se precisa resolver de forma rápida que são a questão hídrica e a redução da criminalidade. É importante, urgente, e para se fazer a partir de agora”, destacou.

Acompanhamento

O presidente do Comitê Gestor do Plano, Renato Lago, afirmou que um observatório foi criado para acompanhar o desenvolvimento de todas as ações. “Resolvemos otimizar as classes produtoras da cidade de forma que nós não precisamos usar recursos públicos nem do município, nem do Estado. O plano foi gerido e financiado pela iniciativa privada. Nesse momento entregamos o plano com metas ousadas a serem cumpridas e estamos criando um observatório que ao longo dos vinte anos irá acompanhar, fiscalizar e cobrar que essas diretrizes do plano sejam cumpridas”, pontuou.

Macroplan na mídia

São Paulo e Rio em polos opostos

Apesar de a escassez de recursos financeiros ser semelhante, os municípios brasileiros demonstram diferenças significativas na capacidade de entregar resultados para a população.

É o que revela um estudo da consultoria Macroplan, que avaliou 16 indicadores em quatro áreas (educação, saúde, segurança, saneamento e sustentabilidade) das 100 maiores cidades do país em termos de população.

De acordo com o levantamento, oito cidades do interior de São Paulo destacam-se entre as dez melhores (A liderança ficou com a paranaense Maringá). Eis as paulistas mais bem colocadas: Piracicaba (2ª no ranking geral), São José do Rio Preto (3ª), São José dos Campos (4ª) e Franca (5ª).

Entre os 10 piores resultados, quatro estão no Rio de Janeiro: São João de Meriti (95ª posição no ranking das 100 cidades), Duque de Caxias (96º), Nova Iguaçu (97º) e Belford Roxo (99º), município que só não perde para Ananindeua (PA), que ocupa a 100ª posição.