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Cenários apontam tendências para inovação do agronegócio brasileiro

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“O fortalecimento do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), a cooperação tecnológica de instituições de C&T com empresas e organizações das cadeias produtivas e o avanço dos mecanismos de defesa da propriedade intelectual e de gestão do conhecimento irão resultar na melhoria significativa da pesquisa agropecuária, agroindustrial e agroflorestal e serão estratégias determinantes para o agronegócio se consolidar como um dos principais vetores do desenvolvimento econômico e social do Brasil em 2023”. Esta é uma das conclusões do recém-lançado estudo “Cenários do Ambiente de Atuação das Instituições Públicas e Privadas de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) para o Agronegócio e o Desenvolvimento Rural Sustentável Brasileiro no Horizonte 2023”, desenvolvido pela Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica (RIPA) com a consultoria da Macroplan.
O projeto envolveu a participação de cerca de 200 técnicos e especialistas diretamente ligados ao setor e a realização de entrevistas e consultas junto a 120 especialistas com notório conhecimento e vinculados às diversas instituições que congregam o SNPA. O estudo da RIPA resultou em quatro cenários distintos para o ambiente de PD&I voltado ao agronegócio brasileiro para os próximos 16 anos que revelam futuros plausíveis e mostram tanto possibilidades de êxito, quanto risco de declínio. Cada cenário foi quantificado e regionalizado, contando ainda com um mapeamento de oportunidades, ameaças e diretrizes estratégicas para o setor. Segundo o consultor da Macroplan, Rodrigo Ventura, os cenários vão permitir a antecipação de tendências e alternativas de futuro, possibilitando ao SNPA identificar os riscos e melhorar o processo de tomada de decisões. “O objetivo deste estudo é construir uma visão de futuro do contexto da PD&I para o agronegócio, oferecendo subsídios ao processo de planejamento estratégico das instituições públicas e privadas que compõem o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária”, diz o consultor.

O cenário 1 (Expansão Integrada com Inserção Global ) – o mais otimista – prevê crescente inserção do SNPA nas redes mundiais de PD&I e de negócios. O sistema também é alvo de um fluxo contínuo e crescente de investimentos públicos e privados. Neste cenário o País fortalece sua posição na produção de agroenergia e biomateriais, assumindo posição de vanguarda na geração de tecnologias voltadas ao setor.

A adoção de formas ágeis de governança no Estado brasileiro, focada na obtenção de resultados para a sociedade, repercute também na esfera das instituições públicas de pesquisa científica. O setor se beneficia da execução de políticas agrícolas modernas e eficazes, caracterizadas pela ativa presença do Estado na regulação.

Outra possibilidade otimista é o cenário 2 (Expansão Integrada com Inserção Regional) Apesar do contexto internacional desfavorável , o Brasil experimenta um processo de gradual e persistente modernização de seu parque produtivo e consegue acelerar seu ritmo de crescimento econômico.

Beneficiando-se do dinamismo do mercado interno e da demanda internacional por agroenergia e biomateriais, o agronegócio brasileiro registra crescimento elevado e com crescente diversificação em 2023. Com isso, a demanda por pesquisa agropecuária, agroindustrial e agroflorestal cresce significativamente. Já no campo ambiental, o avanço científico e o desenvolvimento de tecnologias tropicais incentivam uma maior sustentabilidade no uso da biodiversidade, o que contribui para um impacto pouco significativo das mudanças climáticas sobre a produtividade agrícola e o uso da terra nas diferentes regiões do País.

Mais pessimista é o cenário 3 (Expansão setorizada com inserção em nichos). Neste cenário o SNPA não aproveita o contexto externo favorável e tem uma expansão limitada a alguns segmentos específicos, com inserção internacional restrita às cadeias produtivas mundialmente competitivas e baixa sustentabilidade no uso da biodiversidade. A presença deficiente do Estado na regulação e indução do desenvolvimento inibe a competitividade e a capacidade de inovação nas empresas do agronegócio, que restringem sua atuação ao mercado internacional. Há um fluxo descontínuo e decrescente de investimentos públicos em PD&I e graves disparidades regionais e setoriais em torno da qualidade dos serviços prestados pelas organizações públicas de pesquisa científica.
Neste quadro o Brasil perde posição de liderança na área de agroenergia e biomateriais, e vivencia uma degradação localizada e parcial da biodiversidade, com o uso pouco sustentável dos recursos naturais e o aumento dos conflitos em torno do uso da água em várias regiões

O cenário 4 (Desarticulação e Retrocesso) é o mais crítico. As adversidades trazidas por um macroambiente desfavorável, marcado principalmente pelo uso predatório da biodiversidade, são potencializadas internamente pelo crescente enfraquecimento e desarticulação do SNPA. O agronegócio brasileiro registra níveis decrescentes de produtividade e eficiência e o país não consegue garantir o suprimento equilibrado de produtos agropecuários, agroindustriais e agroflorestais. Há uma crescente degradação da biodiversidade.
Além da presença deficiente do Estado na regulação dos instrumentos e na indução do desenvolvimento rural sustentável, observa-se um processo de continuado enfraquecimento do SNPA , reflexo das dificuldades da inserção do Brasil nos mercados internacionais. Os investimentos públicos destinados à PD&I são escassos e decrescentes e os fundos setoriais são transformados em instrumento de barganha política A iniciativa privada também não encontra estímulos para investir significativamente em PD&I no agronegócio brasileiro, diante de um contexto de instabilidade regulatória, estagnação dos mecanismos de incentivo à pesquisa e de defesa da propriedade intelectual.

?Os cenários indicam que o Brasil terá importantes oportunidades ofertadas principalmente pelo contexto mundial até 2023, mas revelam também que o ambiente de PD&I do Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer até alcançar o patamar onde se encontram países emergentes como China, Índia e Coréia do Sul? alerta o diretor da Macroplan, Claudio Porto. Ele lembra que o total de investimentos em CT&I registrados no Brasil no período de 2000 a 2005 apresentou crescimento de US$ 5,6 bilhões. Porém, quando medido em percentual do PIB este montante foi reduzido, no mesmo período, de 1,22% para 1,12%. O volume de recursos investidos em PD&I no Brasil em 2005 ? US$ 14 bilhões ? também se mostrou bastante inferior ao que foi investido pela China no mesmo período (US$ 136 bilhões) alerta o diretor.

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