Macroplan na mídia

Macroplan: “Cinco gargalos travam crescimento sustentável”

Compartilhe
Baixa escolaridade, insuficiente investimento em infra-estrutura, déficit da previdência, excessiva carga tributária e, principalmente, baixo desempenho em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Estes são os cinco obstáculos que travam o crescimento da economia brasileira, manifestou o diretor-presidente da Macroplan, Claudio Porto, em palestra no seminário “Economia mundial e as perspectivas para o Brasil II”, organizado pela Câmara de Comércio Americana, no inicio de outubro, no Rio de Janeiro. Claudio Porto notou que ao mesmo tempo em que exibe um desempenho melhor do que em 2006, a economia do País ainda não está na trajetória do crescimento sustentável. Para Porto, a melhoria no desempenho da economia brasileira nos últimos anos é fruto da combinação de um contexto externo muito favorável com a consistência e continuidade da política macroeconômica interna. “O País experimentou mudanças estruturais significativas nos últimos anos. Tivemos superávit expressivo na balança de pagamentos, acumulação de reservas de mais de US$ 160 bilhões, melhoria substancial no perfil da dívida pública, inflação baixa, aumento do investimento privado, com um recorde na entrada de investimento externo direto, aumento do consumo das famílias, boom imobiliário e redução das desigualdades. Estamos muito menos vulneráveis a choques externos e nosso ambiente de negócios está mais estável e previsível. “Para ele o salto de qualidade da economia fica demonstrado na comparação de alguns indicadores de 2006 e de 2007. Enquanto o PIB do segundo trimestre de 2006 teve uma variação de 1,59%, no mesmo período de 2007 a variação foi de 5,64%. O investimento estrangeiro direto no primeiro semestre de 2007 foi de US$20,9 bilhões, enquanto no mesmo período de 2006 alcançou US$7,4 bilhões. E o crédito imobiliário, que em julho de 2006 foi de R$5 bilhões, em julho de 2007 atingiu R$ 8,5 bilhões. Um dos poucos indicadores negativos foi a carga tributária que, no primeiro semestre de 2007 alcançou 36,39% do PIB, contra 35,61% do mesmo período de 2006. Apesar desta evolução favorável, Claudio Porto destacou que o país ainda está longe de alcançar um padrão de crescimento sustentável a taxas elevadas. Para ele, os problemas no ambiente econômico têm início na baixa qualidade de ensino no país. Citando avaliações feitas pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o desempenho dos estudantes de 32 países, Porto alertou que o Brasil aparece em última colocação no ranking da organização. O presidente da Macroplan observou ainda que o papel da inovação será determinante para a competitividade e o crescimento sustentável do Brasil. “Para alcançar e manter a competitividade mundial, o Brasil precisa superar os gargalos estruturais e as empresas devem necessariamente sustentar um bom desempenho tecnológico e intensificar o seu esforço em PD&I”, afirmou. “Para acompanhar China , Rússia e Índia, o Brasil precisa dobrar em cinco anos os investimentos em P&D, como proporção do PIB passando de 1,25 para 2,5, no mínimo”, complementou. Outro problema grave, segundo o presidente da Macroplan são os entraves a projetos da área de infra-estrutura. Segundo estudo da Macroplan, serão necessários investimentos da ordem de US$87,7 bilhões anuais em infra-estrutura para o país dar um salto de crescimento nos próximos anos. “Há hoje um risco de apagão no suprimento de energia em 2011 que oscila entre 16,5 e 32%” Não menos grave é o problema previdenciário no Brasil, na análise de Porto. Dados da Macroplan mostram que a relação contribuinte e beneficiário da previdência passou de 7,8, em 1950, para 1,2, em 2002. “Há menos de quatro décadas oito trabalhadores sustentavam um aposentado. Sem uma profunda reforma, o sistema poderá quebrar nos próximos anos”, alertou. Ao comentar o problema da carga tributária e dos gastos públicos, o quinto gargalo ao crescimento sustentável do Brasil listado pela Macroplan, Claudio Porto revelou que as despesas do governo aumentaram 89% entre 2002 e 2007 e a arrecadação de tributos aumentou 70%, enquanto o crescimento nominal do PIB no período só chegou a 57%, revelou Porto. Para o presidente da Macroplan, enquanto persistirem os gargalos não há como assegurar o crescimento sustentável. “Estes entraves, se não forem superados, vão continuar a emperrar nosso crescimento, aumentando os custos e diminuindo a competitividade dos nossos produtos”, concluiu.

Adicionar comentárioO seu e-mail não será publicado